Do meio da audiência veio a pergunta:

– Como posso convencer o outro que precisa de fazer coisas diferentes na sua vida?

Eu olhei para a participante no meio da audiência e contei-lhe uma das minhas histórias pessoais. Contei-lhe a história de um familiar querido e com o qual tive vários conflitos desde muito novo.

Disse-lhe que em determinado momento da minha vida, comecei a questionar várias coisas em que acreditava. Coisas como…

…o que preciso de fazer para ter relacionamento mais feliz?, ou…

…como posso gerar mais dinheiro para não estar sempre com a corda na garganta?, ou…

…o que tenho de fazer para me sentir melhor comigo e com o meu corpo?, ou…

…que emprego posso ter que me traga mais realização e felicidade?

 

Estas perguntas levaram-me a respostas diferentes. As respostas diferentes levaram-me a ações diferentes. As ações diferentes levaram-me a obter resultados diferentes, resultados que me trouxeram maior abundância, maior realização e mais felicidade e… o conflito começou aí.

Porquê?

Porque quando nos sentimos mais felizes, queremos que as pessoas de quem mais gostamos se sintam mais felizes. É natural. É lógico. É o que faz mais sentido.

Só que o que faz mais sentido para nós, raramente é o que faz mais sentido para as pessoas de quem gostamos. Simplesmente porque nós encontrámos uma fórmula, um caminho nosso. A questão é que quem desbravou o caminho e descodificou a fórmula do relacionamento mais feliz, de como ganhar mais dinheiro, de como perder peso ou de encontrar um emprego que nos realize, fomos nós, não o outro. De imediato julgamos que a nossa fórmula e o nosso caminho é o melhor para o outro e raramente é.

Arrisco até a dizer que nunca é. E digo julgamos, porque é isso que fazemos – julgamos de imediato o outro por não querer adotar a nossa estratégia, utilizar a nossa fórmula ou trilhar o nosso caminho. Tentamos a todo o custo convencer o outro. Porque gostamos do outro, porque queremos o melhor para o outro, porque não queremos ver o outro sofrer. E nesse momento instala-se o conflito.

 

Há vários anos atrás adotei para mim uma máxima que ouvi de um dos meus mentores de nome Tony Robbins, enquanto me encontrava na audiência de um grande evento. “Love your family, choose your peer group” – Ama a tua família, escolhe o teu grupo de influência.

 

Após refletir nestas palavras, decidi terminar de tentar convencer o familiar que me era tão querido e com o qual tinha vários conflitos. Decidi simplesmente amar esta pessoa e coloquei de lado a fórmula que lhe trazia mais felicidade. Na verdade tomei duas decisões:

1ª decisão: Aceitei-o como ele é. Amei-o com as suas imperfeições. Deixei de o julgar à minha imagem.

2ª decisão: Decidi não o cobrar mais por ele não acreditar nas coisas que agora eu acreditava. Decidi que ele não faria parte do meu grupo de influência. Decidi que deixava de querer que ele ganhasse mais dinheiro, que emagrecesse ou que fosse mais feliz no seu relacionamento. Decidi que era ele que tinha de trilhar o seu caminho e descobrir a sua fórmula.

 

Decidi também passar menos tempo com esta pessoa, e converter o tempo que passaria em tempo de verdadeira qualidade. Tempo para estar. Tempo para amar. Tempo para não julgar. A nossa relação pacificou-se automaticamente.

 

Quando queremos impor a nossa verdade às pessoas que mais amamos, abrimos o caminho para o conflito.

 

A participante, depois de ouvir a minha história, voltou a perguntar:

– Como faz então para convencer as pessoas que não são seus familiares?

 

Eu respondi:

– Não tento convencer. Faço mais e falo menos. Comprometo-me todos os dias em fazer aquilo que digo. Uns dias consigo, outros não. Mas foco-me neste compromisso comigo próprio – em trilhar apenas o meu caminho.

 

A minha fórmula para um relacionamento harmonioso, para ganhar mais dinheiro ou para nos sentirmos realizados passa por isto. Vê AQUI.

 

Mário Caetano

Coach & Palestrante Inspirador