Na época em que os tablets e os smartphones invadiram as nossas casas, é bom que nos recordemos enquanto pais, do contacto humano imprescindível no nosso seio familiar. É bom que nos sintamos conectados e que este sentido de conexão seja passado de pais para filhos. Partilho contigo os 5 conselhos inspiradores de pais para filhos.

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1. Reinventa o jogo das cadeiras

Quando as cadeiras eram dispostas em círculo e viradas para fora, eu sabia que era altura de brincar e fazer tudo por tudo para quando a professora deixasse de cantar, eu rapidamente me sentasse para não ser excluído da roda. E assim continuava até ficar apenas uma cadeira e duas crianças para a disputarem. Anos mais tarde, ao ver as minhas filhas a fazerem o mesmo que eu fazia, percebi que estavam a aprender a competir uma contra a outra. Para quê? Para ganharem. O quê? Não consegui descobrir. Nem elas. Decidimos reinventar as regras e criar um objetivo: todos os meninos tinham de caber numa cadeira sem tocarem com os pés no chão. Resultado: mais diversão, mais cooperação, mais criatividade, melhor ligação entre todos e melhores resultados. Antigamente um ganhava. Agora todos ganham. Em empresas, nas famílias, no desporto. A vida não é acerca de exclusão. É acerca de inclusão criativa. Quando te ligas aos outros, permites ligares-te contigo próprio. Liga-te.

2. Aprende a acender fósforos

Com 3 anos de idade a minha filha mais velha apareceu à minha frente com uma caixa de fósforos a perguntar o que era, o que me levou imediatamente a ter dois pensamentos. 1º. Vais-te queimar, larga já isso. 2º. Se na Noruega, às crianças com 3 anos é-lhes oferecido no jardim de infância um canivete para começarem a esculpir, porque não ensinar a minha filha a lidar com o fogo? Por proteção, a primeira reação é a de condicionarmos a aprendizagem dos nossos filhos, dizendo-lhes “não faças isso, não vás para aí, vais cair, vais-te queimar, vais-te aleijar”. Ao fazê-lo, a mensagem inconsciente que passamos aos nossos filhos é que o risco é inimigo do crescimento, quando todos sabemos que a diversidade e a capacidade de arriscar é uma das leis de evolução da vida. Ela aprendeu a acender fósforos com 3 anos de idade bem como as consequências que daí advêm. Hoje é uma adolescente com consciência de que para evoluir precisa arriscar. Incentiva o risco, monitoriza a experiência e retira as aprendizagens. Evolui.

3. Troca o “não consigo” por “preciso de ajuda”

Resultante do condicionamento linguístico dos pais e educadores, um dos mantras mais utilizados pelas crianças é o “não consigo”.  Um mantra é uma afirmação inconsciente repetida vezes sem conta, associada a uma forte carga emocional. “Não consigo fazer isto, não consigo ir para ali, não consigo falar, não consigo” é abraçado, repetido e enraizado no sistema neuronal, tendo repercussões presentes e futuras extremamente limitadoras e substituídas na vida de adulto por “não consigo relacionar-me, não consigo ter o trabalho que quero, não consigo ter dinheiro, não consigo ser feliz, não consigo sentir-me bem”.  Esta forma de pensar e de se expressar não pode ser eliminada, pode sim ser substituída, através de uma simples pergunta direcionada aos nossos filhos: “O que precisas?” Eventualmente não compreenderão à 1ª, 2ª ou 3ª vez, mas existirá um momento em que dirão que “preciso de ajuda”. Esse é o momento em que tudo muda, pois sozinhos nada conseguimos. Sozinhos encontramos sérias limitações, em equipa encontramos criativas soluções.

4. Segue o teu talento, contrata um contabilista

O sonho que os meus pais idealizaram para mim era o de seguir uma carreira na área de contabilidade. Aos 21 anos, durante uma aula de microeconomia no curso de Gestão de Banca e Seguros que estava a frequentar, tomei consciência que estava infeliz à demasiado tempo. Todos nós pais, pretendemos que os nossos filhos se sintam felizes, a maior parte das vezes à nossa maneira. Pensamos saber o que é melhor para eles, o que devem estudar, com quem e quando, e esquecemo-nos de observar, observar apenas sem nos intrometer, o que gostam eles realmente de fazer que os faz sentir felizes, colocando de parte perguntas como “vais ganhar dinheiro com isso? ou, Como vais pagar as tuas contas?”. Anos mais tarde descobri que com o que ganhava através do meu talento, podia pagar a um contabilista. Não tinha de me tornar num. Anos mais tarde acredito que qualquer pai deverá ter o propósito de incentivar os seus filhos a descobrirem e a aperfeiçoarem os seus talentos para viverem uma vida com sentido.

5. Leva sempre um livro contigo

A vida é feita de histórias. Na verdade, a vida é um conjunto de histórias às quais decidimos atribuir determinados significados. Diz-se que uma pessoa se transforma no conjunto de livros que lê durante um período de 5 anos. Um bom livro transporta aventura, desperta a curiosidade, apela à criatividade, emana amor, cultiva sabedoria, e sim, claro que sim, inspira-nos e faz-nos sonhar. Um bom livro tem a missão de tocar a vida de alguém com uma boa história. Que toque então a vida dos nossos filhos, vezes e vezes sem conta , acompanhando-os para todo e qualquer lugar para onde se desloquem, transformando pensamentos, apelando às emoções, abrindo corações e permitindo infinitas aprendizagens. Para onde quer que vás, leva sempre um livro contigo, assim, os teus filhos verão em ti um exemplo de aprendizagem.

Desejo-te conselhos inspiradores.

 

Mário Caetano

Coach & Palestrante Inspirador

 

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