Escondido invisivelmente dentro de nós, vive um sentimento auto destruidor. Falo-te da culpa. Este artigo permite identificá-lo e modificá-lo, permitindo seguires em frente de forma mais leve. Estava na cama de massagem, e, enquanto o meu corpo era massajado naquela 4ª feira de manhã, pensava para comigo “há tanta coisa para fazer e eu aqui deitado, a minha equipa a trabalhar e eu de barriga para o ar”.

Quando terminei, ligou-me um amigo, e perguntou-me onde estava. Disse-lhe timidamente que tinha acabado de receber uma massagem, ao que ele respondeu de imediato “rica vida, hein? Um tipo aqui a trabalhar e tu aí.” Senti-me culpado. Culpado por deixar que tratassem de mim, culpado por estar a tratar de mim enquanto outros trabalhavam, culpado por dever conseguir relaxar naquele momento e não o ter conseguido fazer.

Conheces mais alguém com este sentimento de culpa?

É que era recorrente na minha vida este sentimento de culpa. Senti esta culpa quando em 2010 fui fazer um retiro a Bali, na Indonésia, e quando este terminou, entrou em erupção um vulcão na Islândia que fechou o espaço aéreo em várias partes do mundo e me impediu de voar. Tinha a minha família à espera, a minha equipa à espera, estava no meio do paraíso e sentia-me internamente no inferno porque não me sentia merecedor de estar ali.

Aconteceu quando precisava de treinar a meio da manhã ou a meio da tarde, ir comprar uma roupa a meio do dia, ou outra coisa qualquer que saísse da rotina. Sentia-me culpado por estar a usufruir do meu tempo enquanto outros trabalhavam. Acontecia quando ia para a praia para ler e estudar e lá vinha a culpa de estar sentado numa esplanada com os pés na areia. Porquê? Porque sentia eu isto? Isto estava a destruir-me internamente.

Fui à procura e encontrei a resposta

O meu nível de merecimento era baixo. Eu não me sentia merecedor de ter tempo de lazer para mim, daí aquela culpa silenciosa e auto destrutiva. Porque tinha eu este sentimento? Continuei à procura e descobri que não era o único. Existiam muitas e muitas pessoas a pensarem e a sentirem o que eu sentia. Porquê? Porque vivemos numa cultura ocidentalizada que nos diz “se não estás a trabalhar, não estás a produzir”. Esta é uma das grandes e perigosas mentiras que descobri que rege a vida das pessoas. Porquê?

Exatamente porque as faz levar ao limite, sem se sentirem merecedoras de recuperarem e se regenerarem. Como a forma de pensar, sentir e agir está culturalmente enraizada, envergonhamo-nos de usufruir de tempo essencial para nos nutrirmos, recuperarmos e estarmos connosco próprios. Esta regeneração é tão importante como a entrega de alta performance, na nossa carreira ou com a nossa família. Também as pessoas que nos rodeiam fazem questão de nos lembrar no nível de merecimento revelado não só através do imerecido tempo de recuperação, como também através da posse de objetos materiais. “Telemóvel xpto hein, carro novo, todo bem vestido hã?”, são expressões normalmente utilizadas que nos confrontam com as nossas escolhas de merecimento.

Começamos a pensar “se calhar não devia ter isto, se calhar estou bem vestido de mais, se calhar não era para andar assim”. Envergonhamo-nos, minimizamo-nos, escondemo-nos, comparamo-nos e culpabilizamo-nos. Desta forma habituamo-nos a esconder todo o nosso potencial, toda a nossa força, tudo o que nós somos. Impedimo-nos de brilhar, achando que é normal ser assim. O merecimento é como um músculo invisível. Tem de ser continuamente trabalhado. Por mim e por ti.

Deixo-te aqui 4 dicas práticas para identificares a tua fonte de culpa e como podes trabalhar o teu nível de merecimento.

1. Identifica uma situação onde te sentiste diminuído

Pode ter sido através da posse de um objeto ou de uma experiência. Por exemplo, lembro-me de há uns anos atrás, ter sido convidado a frequentar a piscina de pessoas publicamente conhecidas e financeiramente abastadas. Durante o período em que lá estive, senti-me colocado de lado e bastante incomodado, sentindo-me diminuído perante os restantes.

2. Descobre a fonte

Pergunta a ti próprio: o que me está a incomodar tanto nesta situação? O que me estava a incomodar na situação anterior, era o à vontade das pessoas saberem lidar com a opinião pública e com a abundância financeira, de uma forma que eu não era capaz de fazer. Estava identificado o porquê de me culpabilizar ao invés de usufruir da experiência que a vida me tinha proporcionado.

3. Eleva o teu nível de merecimento

Após teres identificado a situação em que te diminuis e descobrires a fonte de culpabilização, coloca-te à prova entrando em ação. Percebi que o meu grande problema se tinha tornado na minha grande prenda, pois aumentei o meu propósito ao me tornar palestrante e orador, enfrentando o meu medo que me diminuía, lidando diretamente com a opinião pública e ganhando dinheiro através da minha missão.

4. Celebra

Sim, celebra diariamente o pequeno obstáculo que ultrapassas, a pequena vitória que alcanças, treinando o teu músculo do merecimento através da celebração. Podes alterar o teu foco, utilizando um principio que utilizo na minha vida e que partilho com as pessoas nas palestras e formações que faço, “Se não tens um motivo para celebrar, encontra um.” Este é o momento. Este é o momento de terminar com esse sentimento de culpa, aumentando o teu nível de merecimento, escolhendo viver bem e feliz, usufruindo ao máximo da vida.

 

Podes também regenerar-te e trabalhares o teu merecimento através da visualização deste vídeo inspirador:

Desejo-te um dia pleno de merecimento!

Desejo-te um dia inspirador!

 

Mário Caetano

Coach & Palestrante Inspirador

 

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