“Para ter sucesso é preciso a disciplina de um atleta e a alma de um poeta.” Maestro Carlos Martins
 

João Carlos Martins começou a tocar aos 8 anos, e aos 10, já era um pianista de renome. Tornou-se o maior intérprete vivo de Bach, tendo gravado a sua obra completa – mais de 400 composições dificílimas, conhecendo-as de cor. Chegou a conseguir tocar 21 notas por segundo. Com 25 anos, num ferimento enquanto jogava futebol, perdeu parte do movimento da mão direita.

 
Tempos depois voltou ao piano, e recuperou a sua velocidade, mesmo sem ter todo o movimento da mão.
 
Houve então o assalto na Bulgária e uma barra de ferro na cabeça, fez com que perdesse totalmente o movimento da mão direita – “Tive uma vida cheia de adversidades e de resultados positivos também. Eu achava que o meu caso era de teimosia mas uma psicóloga disse-me que era de superação, e eu acreditei.”
 
Ficou anos afastado. Decidiu voltar aos concertos, apenas com a mão esquerda.
 

Tentou tratamentos dolorosos para recuperar a mão direita. Usou botox, luvas, morfina, 19 cirurgias na Europa. Procurou a religião, percorreu diversas igrejas…

Foi quando teve a Síndrome por Esforço Repetitivo e um tumor na mão esquerda, e perdeu o movimento nas 2 mãos – “No dia que os médicos me disseram que eu nunca mais iria tocar piano, o chão acabou para mim. Mas depois eu percebi, com uma música de Schumann, que eu ainda conseguia chegar ao coração das pessoas.”

Desorientado por um período, aos 63 anos voltou a estudar e tornou-se maestro. Liderando diversos projetos, criou orquestras para jovens carenciados no Brasil, que se tornaram músicos de primeira linha, lotando o Carnegie Hall em Nova York com hino nacional brasileiro.
 

Ele brinca citando que o seu pai viveu até os 102 anos (morreu de acidente) e que ele ainda tem uns 30 anos para viver da música.

“A PIOR coisa me aconteceu, foi perder o movimento das mãos. E a MELHOR coisa que me aconteceu, foi perder o movimento das mãos.” Maestro Carlos Martins

 

 

Equipa Mário Caetano